Circuito Rupestre


O circuito de Arte Rupestre abarca três sítios diferentes no território de Mação: o vale do Ocreza, o abrigo pintado do Pego da Rainha e o sítio de Cobragança. O rio Ocreza é um afluente da margem direita do Tejo que corta um dos inúmeros afloramentos de xisto que abundam na região. São estes afloramentos de xisto mais próximos do rio que servem de suporte para as gravuras rupestres que aqui são encontradas. Administrativamente, o vale do Souto e o vale da Rovinhosa e zona da Barragem da Pracana, zonas onde estão localizadas a maioria das figuras (margem direita do rio Ocreza), pertencem à freguesia de Envendos e ao concelho de Mação.


O vale do Ocreza é um dos 12 sítios de arte rupestre registados do Complexo Rupestre do Vale do Tejo, uma área com cerca de 120km onde se distribuem ~7000 gravuras que são conhecidas desde o início dos anos 70. Apresenta um conjunto de 109 figuras distribuídas por 27 rochas, no entanto, o circuito rupestre possível de ser visitado apresenta apenas 5 rochas com gravuras. A variedade tipológica de todas as gravuras do Ocreza é acentuada já que é possível registar a presença de figuras humanas e animais, predominando as figuras geométricas e as manchas de picotado. É o único sítio do vale do Tejo que apresenta uma gravura do Paleolítico, ou seja, com cerca de 20.000 anos. O resto das gravuras oscila em cronologias desde o 8.000 a 3.000 anos antes de Cristo.



O sítio do Pego da Rainha corresponde a dois locais diferentes: a uma parede sub-vertical com barras e pontos de coloração vermelha e a um abrigo de médias dimensões localizado perto de um topo de maciço quartzítico no lado oposto ao Castelo Velho da Zimbreira. Ambos os sítios distam apenas alguns metros de distância entre si. O acesso ao abrigo é difícil pois é necessário subir uma encosta íngreme. As figuras pintadas nestes painéis correspondem a linhas, pontos, círculos, semicírculos e figuras antropomórficas.Esta iconografia corresponde aos típicos elementos que compõem a chamada Arte Esquemática da Península Ibérica, um estilo de arte rupestre que terá começado ainda no Neolítico Antigo e tem correspondências até ao final da Idade do Bronze.

O sítio de arte rupestre de Cobragança está localizado a cerca de 1.2 km da vila do Caratão na área municipal de Mação. Descoberto em 1943 foi esporadicamente alvo de trabalhos fotográficos e decalques científicos (Joaquim et al., 2014). Gravemente afetado pelos incêndios de 2003 (Oosterbeek, Cura & Pereira, 2004) e pelos incêndios de 2017 (Garcês et al., 2017), ainda é possível visualizar-me várias gravuras nas duas bancadas. As figuras apresentadas nos painéis podem ser interpretadas como uma forma de flor, uma figura retilínea, uma forma oval completamente preenchida com linhas de radiação (no painel 1) e uma figura ovalada com uma linha traçada no meio, dois círculos concêntricos com radiação lineares, duas figuras quadrangulares com apêndices (uma dela com uma covinha no centro), algumas figuras circulares com ou sem covinhas e alguns traços soltos juntamente com algumas covinhas.

 

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Circuito Lithos

O circuito Lithos foi inicialmente concebido como um circuito regional, que incluía sítios dos concelhos de Mação, Abrantes, Vila Nova da Barquinha e Tomar. Todavia, a sinaléctica para que os sítios fossem visitáveis ao público só foi efectuada no concelho de Mação. Aqui, os sítios que integram este circuito podem ser visitados de forma autónoma ou com visitas guiadas pela equipa do Museu.


A norte, na freguesia de Cardigos, integra este circuito a Anta da Laginha. Construída em xisto, esta anta de corredor baixo e estruturado com pequenos blocos, é um monumento um pouco mais tardio, que testemunha a progressiva ocupação do território do interior pelas comunidadesde pastores e agricultores que, inicialmente, se limitavam a explorar o vale do Tejo. A sua implantação, tal como no vale do Tejo, é aparentemente isolada e dominando um amplo território mas os objectos encontrados são escassos.

No centro do concelho, na freguesia da Amêndoa, está sinalizada a visita ao Castro de S. Miguel da Amêndoa, monumento nacional. No final do II milénio antes de Cristo, a exploração de recursos metálicos vai estimular a plena ocupação das terras do interior, mas também irá gerar crescentes conflitos pela posse dessas terras e pelo controle das rotas comerciais. Vão sendo estruturados povoados de cume, muitas vezes fortificados, configurando uma paisagem humanizada já não apenas por estruturas frágeis (como as lareiras no Paleolítico) ou por estruturas funerárias (como as antas), mas por estruturas habitacionais e de tipo militar, como é exemplo este Castro.

 

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